
O proeminente teólogo católico Chad Pecknold, docente de teologia na Universidade Católica da América desde 2008, ingressou oficialmente no Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS). Ele assumiu o posto de diretor principal de relações públicas do Gabinete de Engajamento Público da agência federais, estando em licença de suas funções acadêmicas para o serviço público. O departamento em questão é o braço executivo responsável pela proteção das fronteiras do país e pela fiscalização migratória, supervisionando órgãos como o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e o Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS).
A nomeação de Pecknold para um cargo focado em difusão cultural e engajamento público ocorre em um momento de intenso debate político e eclesial nos Estados Unidos sobre a aplicação das leis de imigração e o combate à entrada ilegal no país. Reconhecido como um dos expoentes do pensamento “pós-liberal” americano — corrente filosófica que critica o foco excessivo do liberalismo na autonomia individual desvinculada do bem comum —, o teólogo traz para a gestão pública uma sólida base intelectual pautada na filosofia de Santo Agostinho e na teologia de São Tomás de Aquino.
Ao longo dos últimos anos, Pecknold tem se destacado na esfera pública por defender que a preservação da integridade territorial, o controle das fronteiras e a exigência do cumprimento das leis de um país não entram em contradição com o ensinamento moral da Igreja Católica. A atuação do teólogo na administração pública federal lança luz sobre o papel dos fiéis leigos na política e reacende o debate sobre o equilíbrio entre a caridade cristã para com os migrantes e a autoridade legítima dos governantes em salvaguardar a ordem, a segurança e a soberania do Estado nacional.
A soberania das nações e a lei moral na Doutrina Social da Igreja
A Doutrina Social da Igreja Católica trata do fenômeno migratório sob uma perspectiva profunda e equilibrada, que afasta tanto o utopismo das “fronteiras abertas” quanto o desrespeito à dignidade da pessoa humana. O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 2241, estabelece com clareza a dupla dimensão que deve nortear as nações desenvolvidas: a acolhida ao estrangeiro e o direito indiscutível do Estado de condicionar e regular o fluxo de entrada de acordo com o bem comum da sociedade.
O Catecismo ensina que as nações mais prósperas têm o dever moral de acolher, na medida do possível, o estrangeiro que busca a segurança e os meios de vida que não encontra em seu país de origem. Contudo, o mesmo parágrafo estipula que a autoridade política, visando ao bem comum de que é responsável, pode subordinar o exercício do direito de imigração a diversas condições jurídicas: “As autoridades políticas, tendo em vista o bem comum de que são responsáveis, podem subordinar o exercício do direito de imigração a diversas condições jurídicas, nomeadamente ao respeito dos deveres dos imigrantes para com o país de acolhimento. O imigrante é obrigado a respeitar com gratidão o património material e espiritual do país que o acolhe, a obedecer às suas leis e a contribuir para os seus encargos.”
Fundamentado em São Tomás de Aquino, Chad Pecknold costuma recordar que existe uma distinção teológica e jurídica substancial entre o dever de hospitalidade para com o viajante em situação de necessidade e a concessão de cidadania ou reassentamento permanente não regulamentado. A cidadania e a permanência legal em uma nação soberana são direitos convencionais derivados da ordem jurídica de um país, e não “direitos naturais” universais automáticos. A autoridade civil possui o dever sagrado de proteger o tecido social, a cultura e a segurança de seus cidadãos, sendo moralmente legítimo o uso da lei para coibir entradas ilegais e restabelecer a ordem na fronteira.
O dever dos fiéis leigos na restauração da ordem temporal
A inserção de teólogos e intelectuais católicos bem formados na administração pública reflete o verdadeiro sacerdócio régio dos fiéis leigos, conforme ensinado pelo Concílio Vaticano II e pela tradição eclesial. O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 899, ensina que pertence à vocação própria dos leigos a missão de animar e aperfeiçoar as realidades temporais — a política, a economia, a legislação e a cultura — impregnando-as com o espírito do Evangelho.
Os católicos convocados ao exercício de funções públicas não devem capitular diante dos slogans ideológicos da cultura secular ou das pressões das agendas globalistas. O compromisso do governante ou do funcionário público católico é com a justiça distributiva, o império da lei e a promoção da paz social, lembrando que a caridade autêntica nunca se opõe à verdade jurídica nem ao respeito às normas estabelecidas para a boa convivência humana.
A presença de Chad Pecknold no governo dos Estados Unidos reafirma a importância de defender o bem comum integradamente. Os fiéis são convidados a orar por todos os gestores públicos e intelectuais que atuam nas estruturas do Estado, para que exerçam suas funções com prudência, justiça e temor de Deus, promovendo políticas que garantam a segurança nacional, o respeito às leis e o reconhecimento da dignidade inalienável de toda pessoa humana.
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