A cidade de Bogotá, na Colômbia, sediará de 24 a 26 de setembro de 2026 o “Congresso Centenário de Ratzinger: caminhos de fé, esperança e caridade”, segundo informações da ACI Prensa. O simpósio, organizado pelo Centro Ratzinger da Universidade de La Sabana com o apoio expresso da Fundação Vaticana Joseph Ratzinger-Bento XVI, reunirá especialistas e pesquisadores de mais de dez países para debater a contribuição teológica e filosófica do Papa Teólogo. A iniciativa foi selecionada como uma das dez conferências internacionais promovidas globalmente pela Fundação Vaticana para antecipar as comemorações do centenário de nascimento de Joseph Ratzinger, que será celebrado em abril de 2027.

O evento acadêmico e pastoral reunirá intelectuais dos campos da filosofia, teologia, história, ciências políticas e economia em torno de três eixos temáticos essenciais, segundo informações da ACI Prensa. O primeiro bloco examinará a relação entre fé, ciência e cultura, resgatando a célebre reflexão do Pontífice sobre a necessidade de uma “razão aberta” para frear os desmandos da técnica desprovida de limites éticos. O segundo eixo abordará a esperança, a verdade e a libertação autêntica, avaliando o engajamento do cristão na esfera pública e a resposta da fé ao niilismo moderno. Por fim, o terceiro pilar debaterá a caridade, a paz e a continuidade do ensino social da Igreja, conectando o Magistério de Bento XVI ao do Papa Leão XIV, tudo em um ambiente pontuado pela celebração diária da Santa Missa e por sessões de diálogo com os participantes.

A realização do congresso em solo hispano-americano sublinha a relevância do pensamento ratzingeriano para resguardar a América Latina das falsas ideologias e reaproximar o debate público dos valores perenes da civilização cristã.

A defesa da Verdade, o conceito de razão aberta e a crítica ao relativismo

Aprofundar o legado intelectual do Papa Bento XVI é um antídoto indispensável contra a crise espiritual e moral que devasta o mundo ocidental. Uma das maiores contribuições de Joseph Ratzinger ao Magistério Eclesial foi a denúncia firme da chamada “ditadura do relativismo”, uma corrente ideológica que nega a existência de verdades absolutas e reduz o bem e a moral a meras convenções subjetivas e utilitaristas.

Em seu famoso discurso na Universidade de Ratisbona e ao longo de seus escritos, Bento XVI defendeu a necessidade de “alargar os horizontes da razão”. O racionalismo secularista, influenciado pelo positivismo e pelo materialismo ateu, mutilou a inteligência humana ao afirmar que apenas o empiricamente mensurável possui valor científico. Diante dessa limitação sufocante, Ratzinger demonstrou que a verdadeira razão deve abrir-se à transcendência e à Revelação Divina. A fé não é inimiga da inteligência, mas a sua luz orientadora, que impede que o progresso científico se volte contra o próprio homem, como ocorre nas práticas do aborto, da eutanásia e da manipulação genética.

O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 156, lembra que a adesão à fé é um ato profundamente razoável: “O motivo de crer não é o fato de as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz de nossa razão natural; cremos ‘por causa da autoridade do próprio Deus que revela, o qual não pode enganar-se nem enganar-nos’”. O pensamento de Bento XVI recorda à humanidade que sem o ancoradouro da Verdade com “V” maiúsculo, a liberdade se transforma em licenciosidade e a política em mera disputa pelo poder.

A verdadeira libertação cristã em oposição às ideologias políticas

O congresso em Bogotá dedica um de seus eixos à análise do conceito de “libertação” à luz da teologia de Ratzinger, um tema de importância vital para a América Latina. Como Prefect do antigo Dicastério para a Doutrina da Fé, o então Cardeal Ratzinger foi o responsável por orientar a Igreja no combate aos erros gravíssimos da chamada “Teologia da Libertação”, corrente de viés marxista que tentou reinterpretar o Evangelho através da luta de classes e do materialismo histórico.

Na Instrução Libertatis Nuntius (1984), Ratzinger advertiu que a libertação trazida por Nosso Senhor Jesus Cristo é primariamente a libertação do pecado e da morte eterna, e não uma revolução sociopolítica terrena. Submeter a fé às categorias do comunismo é uma perversão da mensagem evangélica, pois reduz a salvação espiritual a um mero ativismo temporal. A Doutrina Social da Igreja ensina que a justiça e a paz autênticas só se constroem através da conversão dos corações, da observância dos Mandamentos e da prática da caridade cristã, e nunca pela violência, pela inveja social ou pelo coletivismo estatal.

A continuidade teológica observada na Doutrina Social da Igreja reafirma que o compromisso do cristão com os pobres e sofredores não se confunde com as agendas da esquerda política. Os fiéis leigos são chamados a transformar as estruturas sociais orientados pelo amor de Deus e pelo respeito à dignidade ontológica da pessoa humana. Que o legado radiante do Papa Bento XVI continue a iluminar a Igreja e a conduzir as almas no caminho da fé reta, da esperança firma e da caridade viva.

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