
Aprovação histórica: O que diz o PRS 3/2026
Em uma votação que representa um avanço significativo para a liberdade religiosa no Brasil, o Plenário do Senado Federal aprovou na última quarta-feira, 27 de maio de 2026, o Projeto de Resolução (PRS 3/2026) que institui a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Liberdade Religiosa dos Psicólogos Cristãos . A promulgação da resolução foi publicada no Diário Oficial da União em 29 de maio, tornando oficial a criação do grupo .
A Frente Parlamentar, de caráter suprapartidário, será composta por senadores e deputados federais que aderirem formalmente à iniciativa. O autor do projeto, senador Magno Malta (PL-ES) , justificou a medida como necessária para assegurar “a efetiva observância dos direitos fundamentais dos psicólogos cristãos, especialmente a liberdade de consciência, de crença e de manifestação religiosa, conforme garantido pela Constituição” .
O relator da proposta, senador Eduardo Girão (Novo-CE) , defendeu a iniciativa como uma forma legítima e constitucional de acompanhamento e debate “de questões dessa natureza, contribuindo para o equilíbrio entre a regulação profissional e a preservação das liberdades individuais” .
O contexto da perseguição: A Resolução 7/2023 do CFP e a ADIn 7.426
Para compreendermos a urgência desta iniciativa, é necessário recordar o cenário que levou à mobilização dos parlamentares e da sociedade civil. Em 2023, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou a Resolução 7/2023, que estabeleceu normas restritivas para o exercício profissional, vedando aos psicólogos a associação entre métodos psicológicos e crenças religiosas, bem como o uso do título profissional vinculado à religião .
A norma gerou forte reação entre profissionais cristãos, que se sentiram ameaçados em seu direito de exercer a profissão sem abrir mão de suas convicções religiosas. Em resposta, o Partido Novo e o Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR) ingressaram com a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn 7.426) no Supremo Tribunal Federal, argumentando violação à liberdade de crença e à dignidade da pessoa humana .
No julgamento ocorrido em março de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, votou pela constitucionalidade das restrições impostas pelo CFP, entendendo que elas se limitam ao âmbito profissional e não violam a liberdade religiosa dos psicólogos em sua esfera privada . A decisão, que ainda aguarda a conclusão do julgamento pelo plenário virtual do STF, acendeu o alerta no Congresso Nacional sobre a necessidade de uma resposta legislativa àquilo que muitos consideram uma censura disfarçada de regulação técnica.
Os objetivos da Frente Parlamentar: Oito metas para proteger a liberdade profissional
A resolução que cria a Frente Parlamentar estabelece oito objetivos principais, que merecem ser conhecidos por todo católico preocupado com a defesa da liberdade religiosa :
- Defender a liberdade de consciência, de crença e de manifestação religiosa no exercício profissional, com base no artigo 5º, incisos VI e VIII, da Constituição Federal.
- Promover o reconhecimento de que a religiosidade faz parte da identidade pessoal e não deve ser separada da atuação profissional.
- Acompanhar e fiscalizar a atuação de conselhos profissionais e demais órgãos reguladores, para evitar normas que possam limitar direitos fundamentais dos profissionais de psicologia.
- Promover um debate sobre os limites do poder regulamentar de entidades de classe, especialmente em casos que possam violar a liberdade religiosa e a dignidade humana.
- Propor, apoiar e articular propostas voltadas à garantia dos direitos dos psicólogos cristãos.
- Combater medidas normativas que imponham restrições desproporcionais ao exercício profissional por motivos religiosos.
O grupo, que se reunirá preferencialmente nas dependências do Senado Federal em Brasília, mas também poderá se reunir em diferentes estados do país conforme a necessidade, representa um instrumento legítimo de defesa das liberdades fundamentais no âmbito do Poder Legislativo .
O que a Igreja ensina sobre liberdade religiosa e consciência profissional
Para a tradição católica, a liberdade religiosa não é uma concessão do Estado, mas um direito natural e inalienável da pessoa humana, fundado na própria dignidade de ser criado à imagem e semelhança de Deus. O Catecismo da Igreja Católica (n. 2106-2108) ensina que “o direito à liberdade religiosa não é nem a permissão moral de aderir ao erro, nem o direito de errar, mas um direito natural da pessoa humana à liberdade civil, ou seja, à imunidade de coação externa, dentro de limites justos, em matéria religiosa” .
O Concílio Vaticano II, na Declaração Dignitatis Humanae (n. 2), foi ainda mais explícito ao afirmar que “este direito à liberdade religiosa se funda na própria dignidade da pessoa humana, tal como é conhecida pela palavra de Deus e pela própria razão”. Esta liberdade implica que “ninguém seja forçado a agir contra a sua consciência, nem impedido de agir, dentro de limites justos, segundo a sua consciência, em público ou em privado, só ou associado com outros” .
Aplicando este princípio ao exercício profissional da psicologia, a Igreja ensina que o psicólogo cristão não pode ser obrigado a abandonar suas convicções religiosas ao entrar em seu consultório. Como recordou o senador Magno Malta ao comemorar a aprovação da Frente Parlamentar: “liberdade religiosa não é concessão de governo, é garantia constitucional. Ninguém pode ser silenciado, perseguido ou ameaçado por carregar os valores cristãos no coração” .
No entanto, é importante notar que a Igreja também ensina que o direito à liberdade religiosa não significa o direito de impor a própria fé aos outros. O Catecismo (n. 2109) recorda que “o direito à liberdade religiosa não pode ser de ordem ilimitada, e o exercício deste direito está sujeito a justos limites, exigidos pela ordem pública e pelo bem comum” . Na prática psicológica, isso significa que o profissional cristão pode — e deve — viver sua fé em sua atuação, mas sem coagir ou manipular seus pacientes, respeitando sua consciência e sua liberdade.
Por que isso importa para o católico?
Caro leitor do Sentinela Católico, a criação desta Frente Parlamentar não é um tema distante ou restrito aos corredores do Congresso Nacional. Ela nos confronta com três lições fundamentais sobre a liberdade e a missão do cristão na sociedade contemporânea.
1. A defesa da liberdade religiosa é um dever de todo católico: A Igreja sempre ensinou que a liberdade de consciência e de crença é um direito fundamental da pessoa humana. Quando psicólogos cristãos são ameaçados de censura ou punição simplesmente por professarem sua fé no exercício profissional, toda a sociedade está em risco. Não se trata de um “privilégio” para cristãos, mas de um direito universal que protege a todos, independentemente de sua crença.
2. O Estado laico não é o Estado laicista: Uma coisa é o Estado não adotar uma religião oficial (laicidade). Outra, bem diferente, é o Estado hostilizar ou tentar eliminar a presença da religião na esfera pública (laicismo). A decisão do ministro Alexandre de Moraes, ao considerar constitucional a resolução do CFP que restringe a associação entre psicologia e religião, representa um perigoso passo em direção ao laicismo — uma ideologia que, disfarçada de neutralidade, impõe uma visão secularista que exclui a fé do espaço público.
3. O direito à objeção de consciência deve ser preservado: O psicólogo cristão que se recusa a adotar práticas contrárias à sua fé (como a chamada “terapia de reorientação sexual” ou o aconselhamento que contraria a moral cristã) está exercendo um direito fundamental — o direito de agir segundo sua consciência. O artigo 5º, inciso VIII, da Constituição Federal garante que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa” . A Frente Parlamentar existe para garantir que este princípio constitucional seja respeitado também no âmbito profissional.
Conclusão e convite à ação
Caro leitor, a criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Liberdade Religiosa dos Psicólogos Cristãos é uma vitória, mas não é o fim da batalha. O debate sobre os limites entre a regulação profissional e a liberdade de consciência está apenas começando. O que está em jogo é nada menos do que a possibilidade de cristãos — psicólogos, mas amanhã podem ser médicos, advogados, professores — exercerem sua profissão sem renunciar à sua fé.
A pergunta que lhe faço é direta: o que você está fazendo para defender a liberdade religiosa no Brasil? Você conhece os projetos de lei que tramitam no Congresso e que afetam a liberdade dos cristãos? Você já cobrou seu deputado ou senador sobre este tema? A Frente Parlamentar existe — mas ela precisa do apoio da sociedade para ter força.
O Senado deu um passo importante. Agora, cabe a nós, católicos, acompanhar, cobrar e apoiar aqueles que se dispõem a defender nossa liberdade de crer e de viver de acordo com o que cremos — dentro e fora do consultório.
Sentinela Católico – Vigiai e orai, porque a liberdade de consciência é um dom de Deus, e a liberdade religiosa, uma conquista da civilização cristã que não podemos permitir que seja destruída.
Nota do editor: A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Liberdade Religiosa dos Psicólogos Cristãos está aberta à adesão de todos os senadores e deputados federais. Cobre seu representante: pergunte se ele já aderiu, e cobre posicionamento sobre a defesa da liberdade religiosa no exercício profissional. Dominus vobiscum.
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