
O manifesto do ódio: Quem está por trás do “Não estou esperando por você”
A poucos dias da chegada do Papa Leão XIV à Espanha, programada para o próximo sábado (6 de junho) , setores organizados do laicismo militante lançaram uma campanha pública para rejeitar a presença do Santo Padre em solo ibérico. Sob o lema “Não estou esperando por você” (“No te espero”), as entidades convocaram uma manifestação em Barcelona para a tarde de 9 de junho, a cerca de 3 km do Estádio Olímpico, onde o Papa presidirá uma vigília de oração com os jovens, com a expectativa de participação de cerca de 40 mil fiéis .
As organizações por trás dessa manobra são a Europa Laica, os Ateos de Cataluña (Ateus da Catalunha) e a Fundação Francisco Ferrer y Guardia — esta última batizada em homenagem a um anarquista e maçom que foi condenado por seu envolvimento no atentado contra o rei Afonso XIII da Espanha .
Para a tradição católica, a perseguição à Igreja não é novidade. O próprio Cristo advertiu seus discípulos: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim” (Jo 15,18). O que impressiona, neste caso, é a organização calculada e o financiamento ideológico por trás do movimento.
O rosto da oposição: Um maçom grau 33 à frente da campanha
A liderança da campanha revela muito sobre seus verdadeiros propósitos. O presidente da Fundação Francisco Ferrer y Guardia é Joan Francesc Pont Clemente, professor da Universidade de Barcelona, que foi iniciado em 1984 na Loja Minerva-Lealtad nº 1 da Grande Loja Simbólica da Espanha .
Pont é uma figura de destaque na maçonaria espanhola: foi grão-mestre adjunto da Grande Loja Simbólica da Espanha e soberano grande comandante do Supremo Conselho Maçônico da Espanha — o que implica que ele é um maçom grau 33, o grau mais alto que pode ser alcançado na organização iniciática .
A relação entre a maçonaria e a Igreja Católica é de longa data condenada pelo Magistério. Desde o século XVIII, vários Papas expressaram preocupações de que certos princípios maçônicos promoviam posições filosóficas incompatíveis com a doutrina católica, particularmente em relação ao relativismo religioso e ao papel da religião na vida pública . O Catecismo da Igreja Católica (n. 2105) ensina que “o dever de honrar a Deus exige que os membros da sociedade civil respeitem o direito à liberdade religiosa”. A maçonaria, historicamente, tem se colocado como antagonista deste direito quando se trata da Igreja.
As acusações vazias: Aborto, eutanásia e a distorção da história
O manifesto de repúdio à visita papal não se limita a questionar o uso de recursos públicos — uma cortina de fumaça para esconder seu verdadeiro intento. Os signatários acusam a Igreja de violar os direitos civis ao se opor ao aborto e à eutanásia, e afirmam que ela tem “uma dívida com a memória” por não se ter desculpado por seu papel no golpe de 1936 e por sua suposta “cumplicidade com a ditadura” .
A nota também acusa a Igreja de “perpetuar a opacidade” em relação aos casos de abuso e de “manter uma estrutura patriarcal” .
Para o fiel informado, estas acusações são antigas e já foram reiteradamente respondidas. A posição da Igreja contra o aborto e a eutanásia não é uma questão de imposição ideológica, mas de defesa do direito fundamental à vida, desde a concepção até a morte natural, como ensina o Catecismo (n. 2270-2279). Quanto às alegações históricas, a Igreja já pediu perdão por muitos pecados de seus membros ao longo da história, e continua a trabalhar pela reconciliação e pela verdade.
O que está por trás dessas acusações é uma recusa radical da antropologia cristã — a visão de que o ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus, dotado de dignidade inalienável. O laicismo militante quer uma sociedade sem Deus, e vê na visita do Papa um obstáculo a esse projeto.
A resposta da Igreja: A fé no espaço público e o testemunho da caridade
Apesar das tentativas de boicote, a visita do Papa Leão XIV à Espanha promete ser um sucesso de participação. Mais de 500 mil pessoas já se inscreveram para acompanhar os eventos, segundo os organizadores . O próprio Papa brincou ao receber a inscrição de número 500.001: “Ainda bem, porque eu não gostaria de perder nenhum deles” .
O programa da viagem é intenso e significativo. Leão XIV visitará Madri, Barcelona e as Ilhas Canárias, onde se encontrará com migrantes no porto de Arguineguín, rezará o Terço na Abadia de Nossa Senhora de Montserrat, e inaugurará a Torre de Jesus Cristo da Basílica da Sagrada Família, a mais alta da igreja projetada por Antoni Gaudí, que se tornou venerável em 2025 .
No dia 9 de junho, enquanto os manifestantes se reúnem a 3 km de distância, o Papa presidirá uma Vigília de Oração no Estádio Olímpico de Barcelona, um momento de encontro com os jovens e as famílias que esperam ansiosamente por sua presença .
Por que isso importa para o católico?
Caro leitor do Sentinela Católico, a campanha contra a visita do Papa Leão XIV à Espanha não é um fenômeno isolado. Ela nos confronta com três lições fundamentais sobre o lugar da Igreja no mundo contemporâneo.
1. A perseguição à Igreja é real e organizada: Não se trata mais de perseguição física — embora os mártires continuem a ser mortos em muitas partes do mundo —, mas de uma perseguição ideológica que busca silenciar a Igreja no espaço público, ridicularizar suas posições morais e impedir que seus pastores sejam tratados com o respeito devido a chefes de Estado e líderes espirituais de milhões de pessoas.
2. A maçonaria mantém sua oposição histórica à Igreja: A presença de um maçom de alto grau à frente da campanha contra a visita papal confirma que a oposição da maçonaria à Igreja Católica não é coisa do passado. O Código de Direito Canônico (cânon 1374) ainda proíbe os católicos de se inscreverem em associações maçônicas, devido à incompatibilidade entre os princípios maçônicos e a doutrina da Igreja. Este episódio na Espanha é um lembrete de que a vigilância continua necessária.
3. A resposta do católico deve ser a oração e o testemunho: Diante das manifestações de ódio e rejeição, o católico não é chamado a revidar com violência ou com ódio semelhante. A resposta cristã é a oração pelos que nos perseguem (Mt 5,44) e o testemunho público da fé, sem medo. O sucesso da visita do Papa — com meio milhão de inscritos — mostra que a fé está viva e que as tentações de silenciar a Igreja fracassam diante do amor concreto dos fiéis.
Conclusão e convite à oração
Caro leitor, enquanto os maçons e ateus se preparam para vaiar o Vigário de Cristo, os católicos da Espanha e do mundo se preparam para acolhê-lo com o coração aberto. A batalha não é contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades (Ef 6,12).
A pergunta que lhe faço é: o que você pode fazer? Reze pela viagem do Papa Leão XIV à Espanha. Reze pela conversão daqueles que se opõem à visita. E se você estiver na Espanha, una-se às multidões que acolherão o Sucessor de Pedro com alegria e devoção.
Que Nossa Senhora de Montserrat, a Moreneta, padroeira da Catalunha, interceda para que esta viagem apostólica seja fecunda em frutos de fé, esperança e caridade. E que as palavras do Senhor se cumpram: “As portas do inferno não prevalecerão contra a minha Igreja” (Mt 16,18).
Sentinela Católico – Vigiai e orai, porque a perseguição é o selo da autenticidade da Igreja, e a fidelidade ao Sucessor de Pedro é garantia de vitória.
Nota do editor: A viagem apostólica do Papa Leão XIV à Espanha ocorrerá de 6 a 12 de junho de 2026 . Acompanhe a cobertura completa pelo Sentinela Católico e pelos canais oficiais do Vaticano. Dominus vobiscum.
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