O arcebispo Christophe-Zakhia El-Kassis, recém-nomeado pelo Papa Leão XIV como Observador Permanente da Santa Sé junto à Organização das Nações Unidas (ONU), proferiu seu primeiro pronunciamento oficial na sede da entidade, em Nova York. Durante a Conferência Global sobre a Promoção do Diálogo Inter-religioso e Intercultural no Combate ao Discurso de Ódio, o diplomata pontifício denunciou a proliferação da incitação ao desprezo e à hostilidade, classificando o fenômeno como um veneno social que degrada a convivência humana, fomenta divisões e atua como estopim para episódios de violência e perseguição contra indivíduos e comunidades inteiras, segundo informações do portal Vatican News.

Em sua intervenção, o representante diplomático ressaltou que a dignidade inalienável de toda pessoa humana — criada à imagem e semelhança do Criador — constitui o pilar inviolável sobre o qual deve se edificar qualquer ordenamento jurídico ou social. A Santa Sé alertou que a liberdade de expressão não pode ser distorcida ou instrumentalizada para dar cobertura ao ataque deliberação à fé, à honra ou à vida do próximo, lembrando que o verdadeiro exercício da liberdade exige responsabilidade moral e respeito ao bem comum. Citando diretrizes do Magistério do Papa Leão XIV, o arcebispo concluiu enfatizando a urgência de uma comunicação “desarmada e desarmante”, capaz de promover a reconciliação em um mundo marcado pela polarização.

A dignidade da pessoa humana e a verdadeira caridade contra a cultura do descarte

O pronunciamento da Santa Sé reflete de maneira fiel e contundente o ensinamento perene da Doutrina Católica sobre a sociabilidade e a moralidade da linguagem. O Catecismo da Igreja Católica, no parrafo 1930, ensina que o respeito à pessoa humana passa pelo respeito ao princípio de que o homem é a única criatura sobre a terra que Deus quis por si mesma. Quando o discurso público se degrada em insulto, calúnia ou incitação ao desprezo, viola-se frontalmente o Segundo Tábua da Lei de Deus, que exige o amor e a justiça para com o próximo.

A verdadeira comunicação cristã afasta-se tanto da violência verbal quanto dos relativismos modernos que tentam redefinir a verdade. O Catecismo recorda ainda, no parágrafo 2477, que a detração e a calúnia destroem a reputação e a honra do próximo, constituindo ofensas graves contra a caridade e a verdade. Em uma era em que ideologias seculares, o comunismo, o subjetivismo e o ativismo desordenado tentam fragmentar o tecido social através da dialética do ódio e da luta de classes, a Igreja Católica ergue-se como a única voz capaz de propor a harmonia fundada na Lei Natural e no Mandamento do Amor.

A incitação à violência e à intolerância atinge, com frequência alarmante, as próprias comunidades cristãs ao redor do globo. O relatório da diplomacia vaticana aponta implicitamente que a banalização do ataques ideológicos prepara o terreno para a perseguição religiosa e o cerceamento da liberdade de culto. A verdadeira defesa dos direitos humanos não pode ser confundida com as agendas progressistas da ONU, mas deve fundamentar-se no reconhecimento de que Deus é a fonte de toda a justiça e de toda a paz.

A conversão da linguagem e o testemunho da Fé Católica no debate público

Frente aos desafios impostos pela proliferação da agressividade nas redes sociais e nas instâncias internacionais, a Igreja exorta os fiéis leigos a exercerem um papel ativo na restauração da cultura. Combater o discurso de ódio não significa aderir à censura politicamente correta imposta pelo secularismo, mas sim defender a Verdade com a fortaleza da fé e a mansidão da caridade apostólica, rejeitando as provocações das ideologias anticristãs.

A doutrina social da Igreja enfatiza que a paz social exige a eliminação das injustiças e a erradicação dos erros morais que corroem a sociedade, como o relativismo moral, o materialismo e o desrespeito à sacralidade da vida e da família. O católico é chamado a ser sal da terra e luz do mundo, utilizando a palavra para edificar, catequizar e defender a Cristandade, sem jamais capitular diante dos erros da cultura contemporânea.

Ao reafirmar diante das nações a necessidade de desarmar a linguagem e proteger os mais vulneráveis, a Santa Sé cumpre sua missão profética de guiar a humanidade no caminho da Verdade Divina. Que a Virgem Maria, Mãe do Bom Conselho e Sede da Sabedoria, proteja a Igreja contra os ataques do mundo secular e inspire os líderes e fiéis a darem um testemunho corajoso e luminoso do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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