Por ocasião dos 60 anos da declaração conciliar Nostra Aetate, a Santa Sé publicou um documento intitulado “Um Caminho de Esperança”, assinado conjuntamente por três dicastérios romanos — o Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, o Dicastério para a Evangelização e o Dicastério para a Doutrina da Fé — e expressamente aprovado pelo Papa, segundo informações divulgadas pela imprensa do Vaticano. O texto oferece um balanço da trajetória percorrida pela Igreja Católica na relação com as grandes religiões não cristãs nas últimas seis décadas, reconhecendo tanto os avanços na promoção da paz e do respeito mútuo quanto as crescentes dificuldades, tensões e incompreensões que marcaram esse período.

A publicação do documento surge como uma resposta necessária às ambiguidades do mundo contemporâneo, no qual o diálogo inter-religioso muitas vezes é erroneamente interpretado como uma renúncia ao anúncio explícito do Evangelho. Segundo a Santa Sé, o verdadeiro diálogo não anula nem substitui o mandato missionário da Igreja, mas constitui um instrumento legítimo para favorecer a coexistência pacífica, a defesa da liberdade religiosa e a cooperação em prol do bem comum, mantendo-se sempre fiel à Verdade revelada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

O diálogo e a missão evangelizadora na doutrina eclesial

O Magistério da Igreja Católica ensina que a atitude de escuta e o respeito em relação aos seguidores de outras tradições religiosas não significam o reconhecimento de um igual valor entre todas as crenças. A salvação das almas opera-se unicamente através do Sacrifício Redentor de Jesus Cristo e de Sua Única Igreja, como ensina solenemente o Papa São João Paulo II na carta encíclica Redemptoris Missio e a Congregação para a Doutrina da Fé na declaração Dominus Iesus.

O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 846, reafirma o axioma tradicional da fé eclesial: “Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, o Concílio ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação. De fato, só Cristo é o Mediador e o caminho da salvação; Ora, Ele torna-Se-nos presente no Seu Corpo, que é a Igreja”. Nesse sentido, o documento vaticano recorda que o verdadeiro diálogo inter-religioso exige clareza de identidade e recusa categoricamente o sincretismo, o relativismo e a falsa impressão de que todas as religiões são caminhos equivalentes para Deus.

Ao propor uma reflexão sobre as últimas seis décadas, a Santa Sé exorta os fiéis a manterem vivo o ardor missionário. O encontro com os não cristãos deve ser sempre acompanhado pelo testemunho coerente da fé católica e pela caridade da verdade, convidando a humanidade inteira a conhecer a plenitude dos meios de salvação depositados por Cristo em Sua Igreja.

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