
O bispo auxiliar de Manágua, Dom Silvio José Báez, que vive no exílio forçado após perseguições promovidas pelo regime sandinista de Daniel Ortega e Rosario Murillo, dirigiu uma firme exortação aos católicos para que não assumam uma postura de cumplicidade ou passividade diante de governos autoritários. Em homilia proferida na Igreja de St. Agatha, em Miami, o prelado alertou que o silêncio omisso perante a injustiça transforma o cristão em cúmplice dos abusos estatais que sufocam o bem comum e destroem as liberdades fundamentais dos povos.
Segundo informações divulgadas pela agência ACI Prensa, o prelado fundamentou sua reflexão na missão profética da Igreja e no dever bíblico de vigilância moral. Recorrendo à figura dos antigos vigias das cidades amuralladas, Dom Silvio Báez ressaltou que denunciar as arbitrariedades dos governos totalitários não constitui discurso de ódio ou atentado contra a ordem social, mas sim um imperativo derivado do mandamento do amor ao próximo e da busca autêntica pela justiça e pela verdade.
O dever do testemunho cristão e a denúncia da opressão estatal
A reflexão do bispo de Manágua ganha especial relevância no atual contexto de endurecimento das estruturas políticas na Nicarágua, onde a Igreja Católica tem sido alvo sistemático de profanações, confisco de bens e eclesiásticos despojados de sua nacionalidade. Durante sua alocução, o purpurado frisou que a fé em Jesus Cristo exige coerência e coragem, impedindo que o crente se reduza à condição de mero espectador impassível diante do sofrimento alheio.
A exortação episcopal abordou elementos de conduta para a vivência da caridade cristã em cenários de dominação:
- Superação do silêncio cúmplice: Dom Silvio Báez advertiu que a passividade diante da violência de regimes ditatoriais não representa neutralidade, mas sim o abandono dos fracos e a omissão gravíssima da missão evangelizadora.
- Coragem e denúncia profética: A voz da Igreja deve erguer-se contra a supressão dos direitos naturais, lembrando que a verdadeira paz não nasce do medo ou do controle policial, mas da justiça e do respeito aos Mandamentos de Deus.
- Responsabilidade pelo próximo: Evocando a passagem bíblica em que Deus questiona Caín sobre o paradeiro de seu irmão, o bispo recordou que nenhum cristão pode esquivar-se de ser o guardião dos indefesos perseguidos por governos autocráticos.
- Fraternidade sem divisão: O prelado exortou também os opositores do totalitarismo a superarem vaidades e vaidades ideológicas, unindo-se na oração e na busca fraterna por caminhos de libertação legítimos.
A irreconciliável oposição entre o Comunismo e o Reino de Deus
A denúncia proferida por Dom Silvio Báez expressa a doutrina perene da Santa Igreja Católica contra as ideologias materialistas e totalitárias, em especial o comunismo. Desde as encíclicas sociais dos papas do século XIX e XX, a Igreja condenou categoricamente o socialismo e o comunismo como doutrinas intrinsecamente perversas, cujo objetivo velado ou explícito é a erradicação da fé cristã, a destruição da família e o assujeitamento absoluto do homem ao ídolo do Estado.
O regime que hoje devasta a Nicarágua é a demonstração prática do veneno ideológico que nasce do comunismo e da teologia da libertação — uma heresia que tentou perverter a mensagem do Evangelho ao substituí-la por uma luta de classes mundana. Quando o Estado se coloca no lugar de Deus, arroga para si o poder de decidir quem pode falar, crer ou exercer a caridade. As igrejas fechadas, a expulsão de ordens religiosas, o banimento de bispos e a prisão de sacerdotes fiéis não são excessos pontuais de um governante, mas o fruto amargo e previsível da mentalidade ateia que move as ditaduras de esquerda.
Diante de tais tiranias, o silêncio da hierarquia ou a omissão dos leigos representam um grave desvio do dever de fé. O católico não se curva a ídolos terrenos nem aceita a pretensão de que a autoridade política esteja acima das Leis Divinas. Como ensina a Sagrada Escritura, “importa mais obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5, 29). A busca por uma convivência pacífica jamais pode implicar o sacrifício da Verdade ou a validação de leis iníquas que perseguem a Igreja e violam a dignidade humana.
A resistência dos católicos fiéis sob o jugo totalitário e o testemunho dos pastores no exílio recordam ao mundo que a vitória final pertence a Nosso Senhor Jesus Cristo. Cabe a todos os membros do Corpo Místico de Cristo apoiarem com a oração, a denúncia firme e a solidariedade os fiéis perseguidos, certos de que os regimes oppressionis passam, mas a palavra do Redentor e a Santa Igreja subsistirão até o fim dos tempos.
Deixe uma resposta