
O arcebispo de Marselha, Cardeal Jean-Marc Aveline, dirigiu uma importante mensagem aos fiéis católicos em preparação para o ciclo eleitoral que se inicia na França. A declaração do purpurado ocorreu no contexto da expectativa pela viagem apostólica do Papa Leão XIV ao país, momento em que o bispo exortou a comunidade eclesial a participar do debate público e político com “franqueza e liberdade”.
Segundo informações do jornal francês La Croix, o Cardeal Aveline apropriou-se dos ensinamentos do Santo Padre para recordar que as tensões, conflitos e desafios próprios do cenário político não devem assustar a Igreja nem levá-la ao isolamento. Pelo contrário, as divergências e os debates eleitorais devem ser transformados em etapas maduras de crescimento eclesial, permitindo que os católicos expressem sua fé no espaço público com coragem, discernimento e sem concessões ao secularismo ou às pressões ideológicas.
A atuação do cristão na esfera pública e o dever de orientar a sociedade
O posicionamento da Arquidiocese de Marselha ganha relevância diante do avanço da secularização e do esfriamento da fé na Europa ocidental, onde muitas vezes tenta-se empurrar a religião para o âmbito estritamente privado. A convocação episcopal para um engajamento pautado na liberdade e na franqueza reforça o papel histórico da Igreja na formação moral e cultural da nação francesa.
A exortação do arcebispo destaca pontos essenciais para o discernimento eleitoral dos fiéis:
- Participação consciente e destemida: O Cardeal Aveline sublinha que os fiéis católicos não devem permanecer omissos perante as grandes decisões políticas do país, devendo atuar com clareza de princípios e liberdade de consciência.
- Acolhimento da orientação papal: A mensagem inspira-se diretamente nas exortações do Papa Leão XIV, convidando a Igreja a enxergar as crises sociais e políticas como oportunidades para o testemunho cristão e para a busca da verdade.
- Defesa do bem comum no ambiente público: A franqueza pedida pelo purpurado exige que os católicos manifestem abertamente seus valores no debate eleitoral, rejeitando a censura velada do laicismo estatal.
- Crescimento comunitário em tempos de crise: Os desafios do ano eleitoral devem servir para fortalecer a unidade dos fiéis e o compromisso de defender a dignidade humana, a justiça social e a herança cristã da nação.
A Doutrina Social da Igreja e a responsabilidade inegociável do voto católico
A exortação do Cardeal Aveline para que os fiéis atuem com “franqueza e liberdade” no processo eleitoral francês é uma demonstração da atualidade e da urgência da Doutrina Social da Igreja. O católico não pode assumir uma atitude de neutralidade covarde ou de indiferença em relação ao destino da polis. A política, quando exercida com retidão, é uma das formas mais altas da caridade; no entanto, quando entregue a ideologias pagãs e materialistas, torna-se instrumento de destruição da ordem natural e de perseguição à fé.
Participar do ano eleitoral com a verdadeira liberdade cristã significa rejeitar o jugo das correntes ideológicas modernas — como o secularismo radical, o relativismo moral, o comunismo e as agendas de desconstrução da família. O eleitor católico não pode depositar seu voto em candidatos ou partidos que defendam abertamente o assassinato de inocentes no ventre materno através do aborto, a eutanásia, a ideologia de gênero ou a supressão da liberdade religiosa e de ensino das famílias. Votar nessas pautas iníquas sob o pretexto de “progresso” ou “pluralismo” constitui uma grave cumplicidade moral com o mal.
A verdadeira franqueza exigida dos pastores e dos leigos consiste em proclamar que os critérios de julgamento político do cristão derivam das Leis de Deus e dos princípios imutáveis do Direito Natural. A França, historicamente chamada de a “Filha Primogênita da Igreja”, só reencontrará a verdadeira paz e a grandeza civilizacional se abandonar a ilusão do laicismo militante e retornar às suas raízes católicas.
Que a visita do Papa Leão XIV e a mensagem do Cardeal Aveline despertem as consciências dos fiéis na França e em todo o mundo cristão. O voto do católico deve ser sempre uma profissão pública de fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo, servindo para edificar uma sociedade onde os Mandamentos de Deus sejam respeitados, a vida seja protegida desde a concepção e a Santa Igreja possa cumprir livremente sua missão de salvar as almas.
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