South Korea

O chamado que ecoou no estádio: A parábola do Filho Pródigo e a resposta da multidão

Na tarde do último domingo, 17 de maio de 2026, o Estádio Geral da cidade de Uijeongbu, na Coreia do Sul, deixou de ser apenas um palco esportivo para se tornar um imenso cenáculo de oração e conversão. Diante de uma multidão estimada em 21.750 pessoas , o evangelista Will Graham, neto do lendário Billy Graham, pregou a mensagem central do Cristianismo: o amor incondicional de um Pai que espera pelo retorno de seus filhos .

A cruzada, organizada pela Associação Evangelística Billy Graham (BGEA) e apoiada por mais de 260 igrejas locais, foi um marco na nova primavera evangelística que parece florescer no país .

Utilizando a parábola do Filho Pródigo (Lucas 15, 11-32), Will Graham foi incisivo ao expor o vazio deixado pelo pecado e pela busca desenfreada por prazeres mundanos. “O pecado sempre promete demais e entrega menos. A verdadeira alegria vem de conhecer o Senhor pessoalmente” , declarou o pregador ao público, que incluía desde famílias inteiras a um grupo de jovens militares do exército coreano .

Ao final do apelo, o que se viu foi uma resposta avassaladora. Cerca de 700 pessoas deixaram seus lugares e caminharam até a frente do palco, num gesto público de entrega a Jesus Cristo . Foi um momento de intensa emoção, testemunhado por uma nação que vive uma contradição espiritual profunda.

A Coreia do Sul: Secularismo material, mas fome espiritual de Deus

Para o fiel católico que olha para o mapa mundi, a Coreia do Sul representa um enigma fascinante. Conhecida como a “Terra da Manhã Calma” e potência tecnológica global, o país asiático também tem se destacado como um dos territórios mais abertos ao Evangelho no continente asiático.

Dados recentes revelam que os evangélicos já representam cerca de 20% da população sul-coreana, enquanto os católicos somam aproximadamente 11% . Esses números são impressionantes em uma região onde o budismo e o confucionismo dominaram por milênios. A Coreia é uma das poucas nações da Ásia Oriental onde o Cristianismo não apenas resistiu, mas cresceu exponencialmente, apesar de um passado recente marcado pela guerra e pela pobreza .

No entanto, a pesquisa também aponta um dado alarmante: 51% dos sul-coreanos se declaram sem religião . É neste solo árido — marcado pelo materialismo, pela pressão social extrema (suicídio é uma das principais causas de morte entre jovens) e pelo vazio existencial — que a mensagem da Cruzada em Uijeongbu encontrou terreno fértil.

A conversão de Lee Whibok, um senhor de 73 anos que ouviu o Evangelho pela primeira vez e aceitou a Cristo, deixa de ser uma exceção para se tornar um símbolo de um verdadeiro movimento de avivamento .

A unidade dos cristãos: Uma lição que vem do Oriente

Um aspecto que precisa ser destacado e aprendido pelos católicos brasileiros é a unidade eclesial evidenciada neste evento. A cruzada de Will Graham não foi um evento isolado de uma denominação; foi uma ação conjunta de mais de 260 igrejas , envolvendo protestantes, evangélicos e carismáticos .

Embora a Igreja Católica tenha sua própria estrutura evangelizadora e sacramental (como o Catecismo nos lembra da missão ex opere operato da Igreja), há uma lição preciosa no exemplo coreano: o anúncio do Kerigma (a primeira proclamação da salvação em Cristo) precisa transcender as barreiras denominacionais.

O Pastor Peter Choi, da Igreja Kwangmyung, capturou o sentimento geral ao declarar: “O avivamento de Deus está apenas começando a surgir. A parte mais difícil da Igreja coreana agora é que muitas pessoas veem a igreja como algo em declínio. Mas é uma oportunidade muito boa para acender aquele fogo mais uma vez” .

Por que isso importa para o católico?

Caro leitor do Sentinela Católico, as 700 almas que aceitaram Jesus na Coreia do Sul não são apenas números ou estatísticas. A Cruzada em Uijeongbu nos confronta com três desafios urgentes para a nossa vida de fé no Ocidente.

1. O chamado à Nova Evangelização é universal: O Concílio Vaticano II e os Papas, de São Paulo VI a Bento XVI, nos recordam que a Igreja nasceu para evangelizar. O Catecismo (n. 849-856) é taxativo ao afirmar que a Igreja tem o dever e o direito sagrado de evangelizar todos os homens . Se na distante Coreia do Sul o Evangelho está sendo proclamado em alto e bom som, por que aqui, no Brasil “país católico”, tantas vezes nos calamos por medo ou por vergonha?

2. O “avivamento” passa pela redescoberta da Confissão e da Eucaristia: A emoção da “aceitação de Jesus” é fundamental, mas para o catolicismo, este é o ponto de partida, não o de chegada. O verdadeiro avivamento que vemos na Ásia deve nos mover a uma vida sacramental mais profunda. O Padre Paulo Ricardo nos lembra que de nada adianta aceitar Jesus nominalmente se não mergulharmos no mistério da Cruz através dos sacramentos da Igreja.

3. A fé não pode ser um “clube social”: A Coreia do Sul mostra que o Cristianismo cresce onde há confronto cultural. Ser católico ali é, em muitos casos, um ato de contracultura. Aqui, corremos o risco de uma fé morna e acomodada.

Conclusão e convite à reflexão

Caro leitor, ore pela Igreja na Coreia do Sul. Ore por Will Graham e pelos novos irmãos que acabaram de dar o primeiro passo na fé.

No entanto, ao olharmos para Seul ou Uijeongbu, não podemos deixar de olhar para o nosso próprio quintal. As 700 pessoas que aceitaram Jesus naquele domingo nos perguntam: quantas almas apresentamos a Cristo neste ano?

Se temos visto uma Igreja mais vazia em algumas regiões, talvez seja porque trocamos o anúncio ousado do Evangelho por um mero ativismo pastoral. A “Primavera Coreana” precisa nos inspirar a pedir ao Senhor da messe um novo Pentecostes para a Igreja no Brasil.

Sentinela Católico – Vigiai e orai, porque a Palavra de Deus não está presa e, se nos faltam ouvintes, a culpa pode ser de que temos pregadores silenciosos.


Nota do editor: O Sentinela Católico celebra a alegria dos 700 novos convertidos, mas faz o alerta pastoral: a fé precisa do alimento da Eucaristia e da força da Confirmação. Rezemos para que estas almas encontrem pastores que as guiem à plenitude da verdade que é a Igreja Católica. Maranathá!

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