
A advogada chinesa Ruth Wang, sócia do escritório VDoor Law Firm e defensora de pastores e membros da Igreja Zion — uma das maiores comunidades cristãs não registradas da China —, viu-se forçada a deixar o país após ser alvo de intensas pressões e ameaças do governo comunista. A jurista integrava a equipe de defesa dos líderes religiosos presos em uma grande operação estatal ocorrida em outubro de 2025. Diante da exigência de cooperação com o regime e do risco iminente de prisão, Ruth aproveitou uma viagem ao exterior para buscar refúgio em Taiwan com sua família, onde aguarda permissão para reassentamento em um país seguro, segundo informações da Associated Press e da organização ChinaAid.
O cerco contra os defensores da liberdade de culto na China se intensificou brutalmente: as autoridades comunistas exigiram a dissolução forçada do escritório de advocacia, cassaram a licença profissional do fundador Zhang Kai — impedindo-o de sair do país — e aplicaram suspensões aos demais advogados da banca, proibindo-os de representar casos ligados a cristãos. A escalada autoritária explicita a sanha do Partido Comunista Chinês em sufocar a fé cristã e eliminar qualquer tipo de assistência jurídica às vítimas de perseguição religiosa na nação.
A violência do regime ateu contra aqueles que advogam pelos perseguidos expõe o caráter liberticida de ditaduras que tentam erradicar Deus do espaço público.
A dignidade da liberdade religiosa e o dever do Estado perante a Lei Natural
A perseguição promovida pelo governo chinês contra os fiéis e seus defensores jurídicos viola abertamente o Direito Natural e a justiça moral. A liberdade de professar a fé e de prestar culto ao Deus Verdadeiro não é uma concessão do Estado, mas um direito inalienável conferido pelo próprio Criador a cada ser humano.
O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 2108, ensina com clareza: “O direito à liberdade religiosa não é nem a permissão moral para aderir ao erro, nem um suposto direito ao erro, mas um direito natural da pessoa humana à liberdade civil, isto é, à imunidade de coerção externa, dentro de limites justos, em matéria religiosa, por parte do poder político”. Quando o poder público exige que cidadãos reneguem a Deus ou impeça que advogados exerçam a justiça em favor dos oprimidos, a autoridade civil perde sua legitimidade moral e degenera em tirania.
O Papa Pio XI, na encíclica Mit Brennender Sorge, já alertava que o Estado que tenta usurpar os direitos de Deus e perseguir os cristãos constrói uma ordem social instável e fadada à ruína moral.
O martírio silencioso e o dever da solidariedade católica
A fuga da advogada Ruth Wang e a prisão de lideranças cristãs na China recordam à Igreja universal a realidade do martírio e da perseguição sofrida por milhões de irmãos na fé ao redor do mundo. Enquanto o Ocidente secularizado mergulha na indiferença, a Igreja que padece sob regimes totalitários oferece um testemunho heróico de fidelidade ao Evangelho.
Os católicos são chamados a exercer a virtude da caridade e da solidariedade, oferecendo orações contínuas e denunciando publicamente as atrocidades cometidas por regimes comunistas e autoritários contra as minorias cristãs. A história demonstra que os impérios e as ideologias ateias passam, mas a Igreja de Cristo permanece inabalável.
Que São Tomé, Apóstolo do Oriente, e Nossa Senhora de Sheshan, Auxiliadora dos Cristãos na China, intercedam pelo povo chinês, deem coragem aos advogados e fiéis perseguidos e façam florescer novamente a liberdade e a fé naquela nação.
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