Durante o encerramento da tradicional procissão de Nossa Senhora dos Milagres, realizada no domingo (13) em São João do Cariri (PB), o bispo diocesano Dom Dulcênio dirigiu uma exortação pastoral a milhares de fiéis sobre a responsabilidade do voto no atual cenário político nacional. O prelado advertiu categoricamente a assembleia para que não se deixe levar por impulsos emotivos ou por agendas ideológicas no período eleitoral, conclamando o povo cristão a exercer a cidadania com discernimento e sobriedade.

Em sua alocução, o bispo enfatizou a necessidade imperativa de que as escolhas nas urnas sejam pautadas pela avaliação criteriosa do futuro do país e pelo compromisso com o bem comum, e não por simpatias superficiais ou slogans partidários. Concluindo a exortação à multidão de devotos, Dom Dulcênio convocou ainda a comunidade a intensificar as orações pela paz mundial e pelo fim dos conflitos armados que assolam a humanidade.

A manifestação da autoridade eclesiástica reforça o papel fundamental do episcopado em orientar as consciências dos leigos perante os graves deveres civis e morais que impactam o destino da sociedade.

O discernimento moral da política e a rejeição das ideologias contrárias à lei natural

A advertência de Dom Dulcênio contra as ideologias no processo eleitoral encontra respaldo inabalável no Magistério da Igreja, que sempre condenou a submissão da fé a esquemas ideológicos seculares. As ideologias políticas modernas, ao absolutizarem conceitos humanos e rejeitarem a ordem moral objetiva estabelecida pelo Criador, distanciam o homem de Deus e promovem a divisão do tecido social.

O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 2246, ensina com clareza a competência da autoridade eclesial no âmbito temporal: “É de missão da Igreja emitir juízo moral, também sobre as coisas relativas à ordem política, quando o exigirem os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas”. Da mesma forma, a Doutrina Social da Igreja recorda que o leigo não pode dissociar a sua vida espiritual das suas decisões públicas, devendo rejeitar propostas partidárias que atentem contra a vida humana, a família natural e a liberdade religiosa.

Votar sob o domínio da mera emoção ou de paixões partidárias cegas constitui uma leviandade moral. A política, para o cristão, deve ser uma forma altíssima de caridade, exercida com prudência, inteligência e retidão de intenção, buscando sempre a promoção da justiça e a defesa da lei de Deus.

A oração pela paz e o dever do eleitor católico frente ao futuro da nação

Ao associar o alerta eleitoral ao pedido de oração pela paz mundial, o bispo paraibano recorda que a verdadeira paz é fruto da justiça e do respeito à ordem divina. Uma sociedade que escolhe seus governantes com base no relativismo ou na adesão a ideologias anticristãs colhe inevitavelmente a desordem, a perda das liberdades e a degradação das instituições.

A orientação dada durante a solenidade de Nossa Senhora dos Milagres serve de farol para todos os católicos brasileiros no cumprimento do seu dever eleitoral. É urgente que o povo fiel supere o analfabetismo político e a manipulação ideológica, examinando a conduta, as propostas e a fidelidade dos candidatos aos princípios inegociáveis do Evangelho.

Os fiéis são chamados a atender ao apelo de seu pastor, recorrendo à intercessão da Santíssima Virgem Maria para que conceda sabedoria ao povo brasileiro e proteja a nação contra o avanço de ideologias nocivas à fé e à família. Que o Senhor dos Exércitos ilumine os eleitores e conceda ao Brasil tempos de paz, governantes tementes a Deus e respeito irrestrito à Santa Igreja.

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