O bispo diocesano da Igreja Católica Romana em Santos, dom Joaquim Mol, publicou uma orientadora carta aos fiéis da Baixada Santista com diretrizes claras para o período eleitoral, segundo informações de matéria veiculada no portal A Tribuna. O documento episcopal exorta a comunidade a uma participação ativa e responsável na vida social e política, contudo veda categoricamente o uso de celebrações litúrgicas e templos sagrados como espaços para campanha eleitoral ou autopromoção de candidatos, segundo informações de matéria veiculada no portal A Tribuna.

De acordo com as determinações diocesanas, sacerdotes e diáconos devem abster-se totalmente de manifestações públicas ou em redes sociais que possam exprimir posicionamento ideológico e partidário, haja vista que a condição clerical não deve ser utilizada para induzir o rebanho a partidarismos políticos, segundo informações de matéria veiculada no portal A Tribuna. Em relação aos postulantes a cargos públicos, o bispo orientou que devam ser acolhidos nas igrejas como fiéis comuns, proibindo terminantemente a concessão de privilégios, palanques ou ações que resultem no constrangimento da assembleia, ressaltando que a liturgia destina-se exclusivamente ao culto a Deus e à santificação do povo, segundo informações de matéria veiculada no portal A Tribuna.

A decisão da Diocese de Santos visa salvaguardar a unidade do rebanho e proteger o ambiente sagrado dos templos contra as polarizações e ideologias temporais que marcam os embates políticos da sociedade contemporânea.

A teologia da liturgia sagrada e o Magistério sobre a missão do clero na vida política

A determinação de banir a política partidária dos púlpitos e dos espaços litúrgicos encontra fundamentação sólida na Tradição da Igreja Católica e no Direito Canônico. A celebração da Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário e o ápice da vida cristã; transformar o momento mais sagrado da fé em palanque ideológico constitui um grave desrespeito à Majestade Divina e uma profanação da natureza do culto. O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 1181, recorda que o templo sagrado é a casa de Deus, um lugar de oração, recolhimento e celebração, devendo estar imune a qualquer uso profano ou partidarizado.

Além disso, a Santa Igreja estabelece com clareza a distinção entre o papel dos fiéis leigos e o dever do clero na esfera política. O Código de Direito Canônico, no cânon 287 §2, veda expressamente aos clérigos a participação ativa em partidos políticos ou na direção de associações sindicais, salvo se, a juízo da autoridade eclesiástica competente, a defesa dos direitos da Igreja ou a promoção do bem comum o exigirem. Cabe aos sacerdotes ensinar a integridade da doutrina moral, formar a consciência dos fiéis e administrar os Sacramentos, preservando a sua paternidade espiritual sobre todos os membros do rebanho, independentemente de suas opções partidárias legítimas.

A participação direta na gestão das estruturas temporais, a militância partidária e a candidatura a cargos eletivos pertencem propriamente à vocação dos fiéis leigos. O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 2442, ensina: “Não cabe aos pastores da Igreja intervir diretamente na construção política e na organização da vida social. Essa tarefa faz parte da vocação dos fiéis leigos, que agem por sua própria iniciativa com seus concidadãos”. Quando um sacerdote abandona a pregação do Evangelho para se tornar militante de uma facção partidária, ele desfigura seu ministério e provoca divisões desnecessárias no Corpo Místico de Cristo.

O discernimento moral do leigo católico e a defesa dos princípios inegociáveis

A orientação para que as missas não se tornem espaço de propaganda partidária não significa que o católico deva ser omisso ou indiferente em relação aos destinos de sua nação. O magistério eclesial sempre incentivou o cumprimento dos deveres civis e o exercício consciente do voto. No entanto, o leigo católico deve orientar seu sufrágio não por interesses pessoais, demagogia ou simpatias ideológicas, mas por uma consciência retamente formada à luz do Magistério da Igreja.

Na Nota Doutrina sobre Algumas Questões Relativas à Atuação e Comportamento dos Católicos na Vida Política (2002), promulgada pela Congregação para a Doutrina da Fé, a Igreja recorda que existem princípios morais inegociáveis que nenhum cristão pode renunciar ao votar ou legislar. Os fiéis têm a obrigação moral de rejeitar candidatos e partidos que promovam a prática abominável do aborto, a eutanásia, a ideologia de gênero, a destruição da família tradicional, a profanação da religião ou o avanço do materialismo ateu e comunista.

Portanto, ao afastar as campanhas partidárias do espaço sagrado das igrejas, preserva-se a pureza da liturgia e garante-se que o altar continue sendo o centro de união e graça para todo o povo de Deus. Que os fiéis leigos, nutridos pela Palavra de Deus e pela Santa Eucaristia, assumam com coragem o seu papel de transformar a sociedade civil, defendendo os valores cristãos, a justiça e a Lei Divina no ambiente público, mantendo as igrejas como refúgios invioláveis de oração e adoração.

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