
A Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG), realiza de 7 a 14 de setembro a 245ª edição do tradicional Jubileu do Senhor Bom Jesus. O evento deste ano é marcado pela presença da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, vinda diretamente do santuário em Portugal. O tema inspirador — “O verdadeiro Jubileu não é fora, é dentro: dentro dos corações e das relações familiares e sociais” — baseia-se em uma exortação do Papa Francisco.
Tríduo preparatório e acolhida litúrgica (3 a 6 de setembro):
- Tríduo preparatório (3 a 5 de setembro): Conta com missas diárias em múltiplos horários (incluindo celebrações às 7h e 19h) e períodos de adoração ao Santíssimo Sacramento.
- Achegada da Imagem Peregrina (6 de setembro): Acolhida às 16h no Parque de Exposições, seguida de procissão motorizada até a Matriz Nossa Senhora da Conceição para a bênção dos veículos. Em seguida, ocorre a procissão de velas rumo à Praça da Basílica, onde o arcebispo de Mariana, Dom Airton José dos Santos, preside a Missa de Abertura às 19h.
Programação principal e solenidades (7 a 15 de setembro):
- Atividades diárias (7 a 13 de setembro): Ocorrem a recitação do terço frente à imagem peregrina, adoração eucarística e confissões. Cada dia é dedicado a um grupo específico da sociedade e da Igreja (como trabalhadores, enfermos, profissionais da saúde e segurança, famílias, juventude e pastorais).
- Dia do Devoto e Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro): Inicia-se com a missa da meia-noite. Às 5h30 ocorre a missa da alvorada na Matriz, seguida de procissão até a basílica, onde são celebradas missas ao longo do dia. O encerramento dá-se às 20h com a entronização da imagem do Bom Jesus.
- Memória de Nossa Senhora das Dores (15 de setembro): Missas às 7h e 15h, com o traslado da imagem de Fátima para a basílica e a coroação de Nossa Senhora das Dores na missa das 19h.
História e relevância do Santuário de Matosinhos:
- Origem da devoção: Nascida em 1757 a partir da promessa do minerador português Feliciano Mendes, que alcançou a cura de uma grave doença e ergueu a primeira capela no morro Alto Maranhão.
- Patrimônio Cultural e Artístico: O complexo é composto pela igreja principal, adro com doze profetas em pedra-sabão e seis capelas da Paixão de Cristo em madeira policromada, criados por Aleijadinho e Mestre Ataíde. Foi tombado pelo IPHAN em 1939 e reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1985.
- Título Pontifício: Elevado a basílica menor pelo Papa Pio XII em 1957 através da bula Pietatis Artisque Monumento.
A centralidade da Paixão de Cristo, a devoção mariana e a conversão do coração
A celebração do Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos reafirma o núcleo da fé cristã: o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Como expressa o tema do evento, a verdadeira peregrinação jubilativa não consiste apenas no deslocamento físico até um local sagrado, mas numa profunda transformação interior e na conversão das atitudes nas relações familiares e comunitárias.
A presença da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima ao lado do Bom Jesus manifesta a união indissolúvel entre a Mãe e o Filho no plano da salvação. Maria orienta os fiéis ao Cristo Sofredor e Glorioso, convidando todos à oração do terço, à reconciliação sacramental e à vivência da caridade.
Ao reunir séculos de arte colonial, tradição popular e vida comunitária, o Jubileu renova a vocação do Santuário de Congonhas como um espaço de encontro com a misericórdia de Deus, onde a fé transmitida de geração em geração se traduz em esperança e compromisso cristão para a sociedade.
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