
O arcebispo metropolitano de Maceió, Dom Carlos Alberto Breis Pereira, dirigiu uma severa exortação aos fiéis e à classe política durante a celebração da Santa Missa na festa de Nossa Senhora dos Prazeres, padroeira da capital alagoana e da arquidiocese. De acordo com informações veiculadas pelo portal ACI Digital, o prelado declarou de forma categórica em sua homilia que a compra e a venda de votos configuram matéria de pecado grave, alertando que os católicos que se submetem a essa prática corrompida estão impedidos de se aproximar da Sagrada Comunhão até que obtenham o devido perdão pelo Sacramento da Penitência.
A advertência pastoral ocorre às vésperas do pleito eleitoral e foi fundamentada no dever moral e cívico de promoção do bem comum. Dom Carlos Alberto ressaltou que a comercialização do sufrágio representa uma grave falta de responsabilidade para com o destino da sociedade e com os direitos de toda a coletividade. Dirigindo-se diretamente aos candidatos e autoridades presentes na celebração litúrgica, o arcebispo enfatizou o dever de governar com amor à terra e ao povo, lembrando que a política, quando exercida segundo os preceitos da justiça, constitui uma nobre forma de caridade, devendo os gestores públicos prestar rigorosas contas a Deus sobre a administração dos recursos da população.
O posicionamento do arcebispo reforça as diretrizes de moralidade pública que a Igreja exige do laicato e dos governantes no cenário eleitoral. Além de alertar os fiéis sobre as implicações espirituais do voto consciente, a Arquidiocese de Maceió reafirmou a importância de preservar a liturgia e os organismos pastorais de instrumentalizações partidárias, exortando os cristãos a exercerem a cidadania com retidão de consciência e fidelidade aos valores morais perenes.
A gravidade do pecado contra a justiça, a responsabilidade do voto e a postura católica contra a contaminação ideológica
A contundente declaração de Dom Carlos Alberto Breis sobre a venda de votos resgata um princípio basilar da Doutrina Social da Igreja: a responsabilidade moral das ações políticas. A Doutrina Católica ensina que o exercício do voto não é um ato neutro ou mercantil, mas um grave dever de consciência voltado à edificação de uma sociedade justa e ordenada segundo a lei de Deus. Quando um cristão negocia o seu sufrágio por vantagens materiais ou favores pessoais, comete um pecado contra a virtude da justiça e contra o bem comum, tornando-se cúmplice da corrupção que degrada a vida pública e fere a dignidade da pátria.
A recepção da Santíssima Eucaristia pressupõe o estado de graça e a plena comunhão com os ensinamentos da Igreja. Como adverte o Catecismo e a Tradição, a pessoa que conscientemente pratica ou fomenta atos imorais, como a venda do voto ou o apoio a pautas abertamente contrárias à Lei Natural, coloca a sua alma em estado de falta grave, sendo-lhe vetado o acesso à Mesa do Senhor sem antes passar pela contrição sincera e pela Confissão Sacramental. O alimento eucarístico é remédio para as almas que buscam a santidade, jamais um ato formal ou um privilégio social para quem tolera o pecado desordenado.
O ensinamento da Igreja sobre a ação política exige também um rigoroso discernimento crítico em relação às propostas partidárias. Em um contexto cultural fortemente marcado pela difusão de ideologias secularistas, por agendas de destruição da família tradicional e pela propaganda ostensiva de conteúdos nocivos — como a cultura LGBT e a erotização da sociedade nos meios de comunicação —, o fiel católico tem o dever moral de rejeitar candidatos e grupos que promovem tais pautas. O voto não pode ser concedido a quem atenta contra a vida do nascituro, contra a inocência das crianças ou contra a estrutura sagrada do matrimônio.
A verdadeira caridade política, mencionada no magistério eclesial, exige que os governantes e cidadãos atuem com temor de Deus e amor à verdade. A Igreja Católica, como coluna e sustentáculo da Verdade, convoca o povo de Deus a não se dobrar ao cinismo eleitoral nem às imposições da cultura progressista. Que os fiéis assumam o seu papel na vida pública alimentados pela oração, pela vida sacramental e pelo firme propósito de eleger representantes comprometidos com o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo e com a defesa incondicional da vida e da família.
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