A ordenação que comoveu o mundo católico: Um legado de fé que floresce no altar

No dia 21 de maio de 2021, na igreja de São Pedro, na diocese americana de Steubenville, Ohio, Jeremiah Hahn recebeu o Sacramento da Ordem e tornou-se sacerdote da Igreja Católica . O jovem, filho caçula do renomado apologeta e teólogo Scott Hahn — um ex-pastor calvinista que se converteu ao catolicismo na Páscoa de 1986 —, deu um passo que poucos filhos de teólogos famosos ousam dar: entregou sua vida ao serviço de Deus e do seu povo .

Para o fiel que acompanha a trajetória de Scott Hahn, autor de best-sellers como O Banquete do CordeiroTodos os Caminhos Levam a Roma e Salve Santa Rainha, a notícia da ordenação de Jeremiah não é apenas um fato familiar. É a coroação de um testemunho de fé que começou décadas atrás, quando um jovem pastor presbiteriano, profundamente contrário à Igreja Católica, descobriu, estudando as Escrituras, que a vontade de Cristo havia sido fundar uma Igreja guiada na terra pelo Papa, o Sucessor de Pedro .

Scott Hahn e sua esposa Kimberly se tornaram católicos em 1986 . Ela o seguiu quatro anos depois, em 1990 . Desse matrimônio, nasceram seis filhos. Jeremiah é o mais novo deles . E hoje, Jeremiah é padre.

“Como professor de Escritura, sei o que isto significa”: O emocionado testemunho de um pai

Dias antes da ordenação de Jeremiah, Scott Hahn publicou em sua página do Facebook um depoimento que comoveu milhares de pessoas ao redor do mundo . Nele, o teólogo, que é professor de Teologia Bíblica na Universidade Franciscana de Steubenville desde 1990 , descreveu o que significava ver seu filho mais novo se tornar sacerdote.

“Neste mês, maio de 2021, estou vendo o meu filho Jeremiah se tornar sacerdote. Como teólogo leigo e católico catequizado, eu sei o que isto significa. Ele será transformado até as raízes do seu ser. Ele será conformado a Cristo de modo especial para dizer palavras divinas com divino poder, perdoando os pecados e tornando Jesus realmente presente.” 

Scott Hahn, que já havia escrito um livro sobre o sacerdócio intitulado Muitos são chamados: redescobrindo a glória do sacerdócio, confessou que, embora conhecesse a teologia do sacramento, aquela experiência era diferente. “A maravilha está neste exato momento”, escreveu. “Eu estava presente — e, pela graça de Deus, como ativo co-criador — na concepção de Jeremiah. Eu o peguei no colo quando ele nasceu. Eu o acalmava quando os seus dentinhos começaram a apontar. Eu caminhei com ele ao longo da sua adolescência. Mas nada do que eu já testemunhei na vida dele pode se igualar à maravilha que Deus vai realizar com o Sacramento da Ordem.” 

O pedido de Scott Hahn aos fiéis foi direto e profundo: “Por favor, rezem pelo Jeremiah. Rezem pela sua fidelidade acima de tudo. Mas rezem também para que, assim como Jesus no Seu ministério e como Deus no ato da criação, ele faça ‘bem todas as coisas’ (Marcos 7,37).” 

A vocação de Jeremiah: De “uma voz” que ele tentou silenciar ao “sim” definitivo

A história vocacional de Jeremiah Hahn é, por si só, um testemunho da ação silenciosa e perseverante de Deus. Como muitos jovens católicos, ele considerou o sacerdócio ainda na infância, servindo como coroinha e sentindo “um primeiro indício” dessa vocação . No entanto, ao longo do ensino médio e da faculdade, à medida que se tornava mais atraído por garotas, seu interesse pelo sacerdócio diminuiu. Ele pensou que queria ser professor como seu pai, ter esposa e filhos como ele .

Mas Deus não desistiu. Jeremiah namorou, se apaixonou e esperava se casar. Até que, um dia, durante a Missa em dezembro, ele ouviu uma voz que lhe disse que deveria ser padre. “Eu não queria mais isso, então abafei aquela voz”, recordou . Em janeiro, durante outra Missa, a voz voltou. “Encontrei um desejo brotando em mim de fazer as coisas que um padre faz: pregar, oferecer a Missa e ouvir confissões”, disse ele .

A luta interna foi real. Havia uma garota com quem ele queria se casar. Mas a voz continuava ressoando. O discernimento chegou a um ponto crítico quando a própria moça, em uma missão na Jamaica, foi questionada por um bispo se sentia um chamado à vida religiosa. A resposta dela foi semelhante à de Jeremiah: “Veja, há esse cara” .

Ao retornarem, tiveram uma conversa decisiva. “Perguntei: ‘Devemos terminar?’ Ela respondeu: ‘Sim’.” Hoje, ela é felizmente casada — com outro homem . E Jeremiah Hahn, aos 33 anos, tornou-se padre da Diocese de Steubenville, servindo atualmente como vigário paroquial na paróquia de São Paulo, em Atenas, que inclui a comunidade católica de estudantes da Universidade de Ohio .

O que o Catecismo ensina: O sacerdócio como transformação ontológica

Para a tradição católica, a ordenação sacerdotal não é uma mula cerimônia simbólica. É um sacramento que produz uma transformação ontológica no ser do ordenado. O Catecismo da Igreja Católica (n. 1582) ensina: “Como Cristo é o único sacerdote da Nova Aliança, o sacerdote comum já se torna, pela ordenação, participante deste sacerdócio único e insubstituível”.

Scott Hahn, em seu depoimento, ecoa essa doutrina com precisão teológica: Jeremiah “será conformado a Cristo de modo especial”, receberá o poder do Espírito Santo para agir “in persona Christi” (na pessoa de Cristo), como “outro Cristo” (alter Christus. Não se trata de uma metáfora poética. Trata-se da realidade do sacramento: quando o padre absolve os pecados, é Cristo quem absolve; quando o padre consagra o pão e o vinho, é Cristo quem se torna presente.

Para o fiel que se pergunta “o que torna um padre diferente dos demais batizados?”, a resposta está na teologia do sacramento da Ordem. O Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium (n. 10), distingue entre o sacerdócio comum dos fiéis (recebido no Batismo) e o sacerdócio ministerial (recebido na Ordenação). Ambos são participações no único sacerdócio de Cristo, mas são diferentes em essência, não apenas em grau. O sacerdote não é um “delegado da comunidade” que preside uma assembleia. Ele é o instrumento vivo de Cristo Cabeça.

Por que isso importa para o católico?

Caro leitor do Sentinela Católico, a ordenação de Jeremiah Hahn nos ensina três lições fundamentais para a vida de fé.

1. A fé se transmite, mas a vocação é um dom gratuito de Deus: Scott Hahn é um dos maiores apologetas católicos da atualidade. Seus livros converteram milhares de pessoas ao redor do mundo. Mas ele não poderia “forçar” seu filho a ser padre. A vocação sacerdotal é um dom que vem de Deus, não uma herança familiar. O que Scott fez, e fez bem, foi criar seus filhos em um ambiente de fé — a chamada “igreja doméstica” (Lumen Gentium, n. 11) — e depois deixar que cada um discernisse livremente o chamado de Deus . Para o pai católico que deseja vocações sacerdotais em sua família, o exemplo de Scott Hahn é um modelo: formar na fé, rezar, e confiar.

2. O silêncio de Deus não é ausência: Jeremiah ouviu uma voz interior durante a Missa. Tentou abafá-la. Ela voltou. Deus não desistiu. Quantos jovens católicos ouvem um chamado — ao sacerdócio, à vida religiosa, a um apostolado específico — e o ignoram por medo, por conveniência ou por apego a outros projetos? A história de Jeremiah nos lembra que o chamado de Deus é perseverante. Ele não desiste na primeira recusa. Cabe a nós, como ele, dizer “sim” — ainda que isso exija renúncias dolorosas.

3. O sacerdócio é uma maravilha que merece ser celebrada: Scott Hahn, um homem que dedicou sua vida a estudar e ensinar a fé católica, confessou que tudo o que ele sabia sobre o sacerdócio não se comparava à maravilha de ver seu próprio filho ser ordenado . Para o fiel que, às vezes, trata os sacerdotes com indiferença, crítica ou até desrespeito, este testemunho é um convite a reverenciar o sacramento da Ordem. Quando um padre celebra a Missa, absolve os pecados ou unge os enfermos, ele não está agindo em seu próprio nome. Está agindo in persona Christi. E isso é, sim, uma maravilha que merece ser celebrada.

O pedido de oração de Scott Hahn: Uma súplica que continua atual

Após a ordenação de Jeremiah, Scott Hahn fez um pedido que vai além de seu próprio filho. Ele pediu que os fiéis se lembrem de rezar por todos os sacerdotes do mundo “Peço que vocês nos ajudem a celebrar não apenas o meu filho, mas todos os pais espirituais”, escreveu .

O pedido é particularmente relevante em um tempo em que o sacerdócio tem sido alvo de ataques, escândalos e desconfiança. Scott Hahn, que já testemunhou escândalos e deserções ao longo de sua vida católica, afirmou que isso só aumentou seu apreço pela beleza das Ordens Sagradas .

Conclusão e convite à reflexão

Caro leitor do Sentinela Católico, a ordenação de Jeremiah Hahn não é uma notícia antiga. É um testemunho perene de que Deus continua chamando jovens — ainda hoje, ainda agora — a deixar tudo e segui-Lo. O pai converteu-se ao catolicismo estudando as Escrituras. O filho disse “sim” ao sacerdócio ouvindo uma voz durante a Missa. Dois caminhos, um mesmo Deus.

A pergunta que lhe faço é direta: você reza pelas vocações sacerdotais? Você reza pelos padres da sua paróquia? Você incentiva os jovens que conhece a considerar o chamado de Deus, seja ao sacerdócio, seja à vida religiosa, seja ao matrimônio santo?

Se a resposta for não, talvez seja hora de começar. Reze pelo padre Jeremiah Hahn. Reze por todos os padres. E reze para que, como Scott Hahn, você possa um dia testemunhar a maravilha de Deus no tempo presente.

Sentinela Católico – Vigiai e orai, porque o sacerdócio é um dom inestimável para a Igreja, e a família que reza e forma na fé é o viveiro onde Deus planta as vocações de amanhã.


Nota do editor: Jeremiah Hahn continua exercendo seu ministério sacerdotal na Diocese de Steubenville, servindo como vigário paroquial e capelão assistente na Universidade de Ohio . Sua história é um testemunho vivo de que Deus não desiste de nos chamar. O Sentinela Católico convida seus leitores a rezarem um Pai Nosso e uma Ave Maria por ele e por todos os sacerdotes do mundo. Dominus vobiscum.

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