
O grito do deserto: Mais de 2 milhões de pessoas presas em um “lugar quieto e sombrio”
“Sem nada para fazer, sem ter para onde ir, sem escolas, sem comércio”. A descrição sombria é de Michael La Civita, diretor de comunicações da Associação Católica de Bem-Estar do Oriente Próximo (CNEWA), ao programa EWTN News Nightly no último dia 2 de junho .
Mais de 2 milhões de pessoas, a maioria deslocadas, vivem atualmente na Faixa de Gaza com suas casas destruídas, enfrentando uma realidade que La Civita define como um “estado permanente de espera” .
A agência papal, fundada pelo Papa Pio XI em 1926, descreve um cenário de devastação total: “Não há escola, não há abrigo” e “muito pouco acesso a alimentos” . A crise humanitária atingiu níveis alarmantes, com relatos de desnutrição severa afetando crianças, gestantes e idosos, além da preocupação crescente com a proliferação de doenças como hepatite A, associadas à falta de saneamento básico, água potável e assistência médica .
“Operamos milagres, e precisamos de milagres”: O trabalho silencioso da Igreja em meio às ruínas
Diante do aparente desinteresse da comunidade internacional, a Igreja Católica, através da CNEWA e de outras organizações como a Ordem de Malta, intensificou seus esforços para aliviar o sofrimento da população .
A CNEWA informou que já destinou quase US$ 1,2 milhão em ajuda desde o cessar-fogo, coordenando com a Igreja Latina da Sagrada Família e a Paróquia Ortodoxa Grega de São Porfírio, bem como com a Cáritas . Grande parte do trabalho focado em assistência psicossocial para crianças, idosos e populações vulneráveis, além de assistência médica para mães e gestantes .
A Ordem de Malta, por sua vez, conseguiu furar o bloqueio para entregar “vários milhares de kits de alimentos e higiene, remédios, barracas e cobertores”, mantendo um pequeno dispensário dentro da própria Igreja da Sagrada Família para distribuir medicamentos .
O apelo urgente do Papa Leão XIV: “Os direitos humanos devem ser respeitados por todos”
O Papa Leão XIV tem acompanhado a tragédia com especial atenção. Durante pronunciamento a jornalistas em Castel Gandolfo no dia 26 de maio, o Santo Padre fez um apelo veemente à comunidade internacional .
“Gostaria também de renovar isso não só como um convite, mas verdadeiramente como um apelo”, declarou o Papa, exortando “todas as autoridades a auxiliar e acompanhar o povo de Gaza, e a ajudar a iniciar a reconstrução”. Ele lamentou que, infelizmente, “o povo de Gaza ainda não está recebendo ajuda humanitária” e reiterou que “o povo está realmente sofrendo” e “continua sofrendo muito” .
O Pontífice também destacou a necessidade urgente de garantir o acesso humanitário, lembrando que para alimentar uma população faminta, seriam necessários mais de 600 caminhões de ajuda por dia, quando atualmente a região recebe apenas cerca de 400 por semana .
Por que isso importa para o católico?
Caro leitor do Sentinela Católico, o drama em Gaza não é uma notícia distante. É o Gólgota do século XXI, onde Cristo sofre novamente na carne dos pequeninos. Somos chamados a não desviar o olhar.
Diante desse cenário desolador, a CNEWA apresentou um plano de ação claro para os fiéis, dividido em três frentes essenciais :
1. A Oração como Primeira Arma: “Antes de tudo, orar”. Não se trata de um paliativo, mas do reconhecimento de que a paz verdadeira é um dom de Deus. Como nos ensina o Catecismo (n. 2305), a paz terrena é imagem e fruto da paz de Cristo. Precisamos de milagres, e a oração os opera.
2. A Vontade de Promover a Paz: Precisamos de “vontade para que haja paz”, clamou La Civita. Isso exige de nós, cristãos, o compromisso de sermos construtores de pontes. Como está escrito: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9).
3. A Ajuda Material Concreta: A CNEWA está na linha de frente, mas precisa do nosso apoio. A ajuda material não é apenas assistencialismo; é justiça. A impossibilidade de enviar ajuda suficiente (400 caminhões por semana contra 600 necessários diariamente) mostra que a Igreja não pode agir sozinha; ela precisa do corpo místico unido.
Conclusão e convite à ação
Caro leitor, a situação em Gaza é um escândalo humanitário que clama aos céus. As Nações Unidas já alertaram para o risco real de a comunidade cristã desaparecer da região, vítima da violência e da falta de perspectivas . O pároco de Gaza, Padre Gabriel Romanelli, que retornou heroicamente à sua comunidade mesmo sob bombardeios, descreve um cenário de desespero onde a única certeza é a Eucaristia .
A pergunta que lhe faço é: o que você pode fazer hoje?
Não cruze os braços. Reze o Terço pela paz na Terra Santa. Ofereça a sua comunhão pelas almas que sofrem. E, se possível, colabore com as campanhas de arrecadação das agências católicas que atuam na região .
Que a Virgem Maria, Rainha da Paz, interceda por aqueles que choram nas ruínas de Gaza e desperte nos corações dos poderosos a coragem necessária para construir, finalmente, uma paz duradoura.
Sentinela Católico – Vigiai e orai, porque a criança que morre de frio em Gaza é o rosto de Cristo crucificado hoje.
Nota do editor: A CNEWA (Catholic Near East Welfare Association) é uma agência pastoral e humanitária do Papa que atua em regiões de conflito. Para mais informações sobre como ajudar, acesse o site oficial da instituição. Sancte Michael Archangele, defende nos in proelio.
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