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Flat women hands different nationalities with feminism fists raised up. Gender equality, feminist movement, protest or revolution concept. Fist gesture symbol of strength, woman rights or female power

Queda na identificação e aumento da desconfiança: o que dizem os números

O Barómetro Juventud y Género 2025, elaborado pelo Centro Reina Sofía de Fad Juventud, mostra que apenas 38,4% dos jovens espanhóis (15–29 anos) se declaram feministas, uma queda significativa em relação ao pico de 49,9% registrado em 2021. Ao mesmo tempo, 49,2% dos entrevistados afirmam que percebem o feminismo como uma “ferramenta de manipulação política”. O estudo se baseia em 3.327 entrevistas realizadas entre abril e maio de 2025, das quais 1.528 correspondem a jovens de 15 a 29 anos.

Diferenças por sexo e faixa etária

Os dados revelam uma divisão marcada por gênero: 51,3% das jovens mulheres se identificam como feministas, contra 26% dos jovens homens. A identificação cresce com a idade dentro da amostra, atingindo o pico na faixa dos 30–39 anos (52,2%). Esses contrastes mostram que, embora haja uma adesão maior entre mulheres, a confiança no rótulo “feminista” diminuiu de forma generalizada entre os mais jovens.

Por que cresce a percepção de “manipulação política”?

Especialistas e analistas citados em reportagens que cobriram o barómetro apontam alguns fatores explicativos:

  • Polarização política e uso do discurso de gênero em campanhas eleitorais e debates públicos, que podem transformar movimentos sociais em símbolos partidários.
  • Ruído das redes sociais, onde narrativas simplificadas e conteúdos virais distorcem mensagens complexas e ampliam percepções de instrumentalização.
  • Cansaço de rótulos entre jovens que preferem ações concretas por igualdade a identificações ideológicas explícitas.

O paradoxo: reconhecer desigualdades, mas rejeitar o rótulo

Apesar da queda na identificação com o feminismo, o barómetro também mostra que 48,9% dos jovens consideram que existem desigualdades de gênero “grandes ou muito grandes” na Espanha. Ou seja, muitos jovens reconhecem problemas de desigualdade, mas hesitam em adotar o rótulo “feminista”, possivelmente por associações negativas ou por divergências sobre estratégias e linguagem do movimento.

Implicações para política, educação e comunicação

  • Política pública: a percepção de instrumentalização pode reduzir a eficácia de políticas de igualdade se estas forem percebidas como partidárias. É necessário comunicar objetivos e evidências de forma transparente.
  • Educação e formação: programas de educação em igualdade devem priorizar linguagem inclusiva e exemplos práticos, evitando jargões que afastem parte do público jovem.
  • Movimentos sociais: organizações que defendem a igualdade podem precisar revisar estratégias de comunicação para reconquistar confiança, focando em ações locais e resultados mensuráveis.

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